Dia de Finados nas diferentes culturas

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Hoje, 2 de novembro, comemora-se o Dia de Finados no Brasil. Nesta data, os cemitérios ficam cheios de pessoas celebrando a memória daqueles que já se foram. Em todo o mundo, este feriado é comemorado e cada país tem a sua forma de celebrá-lo.

Acredita-se que essa tradição religiosa se iniciou por volta do ano de 998, quando um abade do mosteiro de Cluny, na França, ordenou que os monges orassem pelos mortos, especialmente por aqueles de quem ninguém se lembrava mais. A oração virou uma tradição, que foi ficando cada vez mais popular. Até que, no século 13, a Igreja Católica definiu que esse dia de celebração passaria a ser em 2 de novembro, dia seguinte ao Dia de Todos os Santos.

Aqui no Brasil, o ritual mais comum de celebração do Dia de Finados é a ida ao cemitério. Ali, colocam-se flores nos túmulos dos parentes e amigos já falecidos e algumas pessoas ainda oferecem orações a quem se foi. Também é comum que sejam feitas missas em algumas igrejas em honra ao dia. Apesar de ser uma tradição antiga, muita gente ainda opta por usar roupas na cor preta. Em geral, o clima da data sugere introspecção, já que quem tem entes falecidos costuma ficar mais fechado e recluso durante o dia.

Mas nem sempre esse é o clima adotado por diferentes culturas na maneira de celebrar esta data. Outros países também têm suas próprias formas de homenagear os mortos e o blog Netsabe preparou uma lista com as mais curiosas e divergentes da nossa.

México

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O “Dia de los Muertos” do México é uma das festas mais famosas do mundo e o clima por lá toma um tom alegre, cujo objetivo é celebrar e relembrar com orgulho as memórias de quem já se foi. Não há choro, nem tristeza, mas uma grande alegria, quase um carnaval. Desta forma, o povo mexicano acredita que o legado da pessoa é vivido e reforçado mais uma vez, através dos parentes e amigos que ainda vivem, além de acreditarem que os entes falecidos vêm visitar os vivos nesta data.

Lá, o feriado dura três dias, de 31 de outubro a 2 de novembro e as famílias se reúnem para lembrar os entes queridos que partiram. Para isso, fazem oferendas com as comidas e bebibas favoritas dos que se foram. Na ocasião, as pessoas usam fantasias coloridas de caveiras, constroem altares dentro das casas e há grandes desfiles de máscaras e alegorias, lotando as ruas de gente.

A data abrange todo o país e mesmo quem não viveu uma perda na família ou no círculo social acaba entrando na festa. Mesmo que a cor preta ainda seja muito presente nas ruas, vermelho, laranja e qualquer outro tom vibrante também podem ser encontrados nas decorações e fantasias.

Espanha

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Os espanhóis, na verdade, comemoram o Dia de Todos os Santos (“Dia de Todos Los Santos”), que acontece em 1º de novembro. Sendo um feriado nacional, as pessoas retornam para suas cidades natais e visitam os cemitérios nos quais seus entes queridos estão. Flores são levadas para os túmulos à noite e um doce especial chamado “Hueso de Santos” (Osso dos Santos), feito de marzipã, ovos e “syrup” (calda semelhante ao mel, feita de açúcar e água) é comido como sobremesa especial da data. Durante o dia, as cidades espanholas recebem paradas em honra aos mortos. Assim como na tradição mexicana, os espanhóis também usam roupas de tons coloridos e vibrantes no dia. Mesmo sem as grandes festas que caracterizam o feriado no México, o Dia de Todos os Santos na Espanha também possui um clima mais festivo. Ainda, a peça “Don Juan Tenorio” é tradicionalmente apresentada.

Japão

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Comemorado em 15 de agosto, o Bon Odori é um momento especial, no qual os japoneses prestam homenagens aos seus ancestrais. As celebrações duram três dias e incluem danças e comidas especiais para a data, além do retorno ao lar em que os antepassados da família viveram. Uma das tradições japonesas é limpar as lápides dos falecidos, já que se acredita que seus espíritos retornam nessa época, para visitar os vivos. Na região de Kyoto, na noite de 16 de agosto, cinco símbolos feitos com fogo, semelhantes a uma estrela do mar, são postos nas montanhas em saudação aos espíritos, pois esse povo acredita que será neste momento que os espíritos retornarão. A celebração foi incorporada e adaptada em regiões de outros países por imigrantes japoneses, inclusive em pequenas comunidades brasileiras.

Guatemala

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Celebrações guatemaltecas do Dia dos Mortos são marcadas pela construção, e uso, de pipas gigantes e muito coloridas, além das tradicionais visitas aos túmulos dos ancestrais. Cada pipa representa a alma de uma pessoa que se foi. O consumo de fiambre – uma comida típica da Guatemala – também é um grande acontecimento, pois é o único dia em que é preparado durante o ano.

Haiti

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No Haiti, tradições vudu misturam-se com as observâncias católicas do Dia dos Mortos, como, por exemplo, barulhentos tambores e músicas são tocados por toda a noite em celebrações pelos cemitérios para acordar Baron Samedi, o senhor dos mortos, e seu descendente, o Gede.

Bolívia

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O “Dia de los Ñatitas” (Dia das Caveiras) é um festival celebrado em La Paz, Bolívia, em 9 de novembro. Tradicionalmente, a caveira de um ou mais membros da família são mantidas em casa para tomar conta da família e protegê-la durante o ano. No dia 9 de novembro, a família coroa a caveira com flores frescas, às vezes também as vestindo com peças de roupa. São feitas, ainda, oferendas de cigarros, folhas de coca, álcool e vários outros itens em agradecimento pela proteção durante o ano. As caveiras também são, por vezes, levadas ao cemitério central em La Paz para uma missa especial e bênçãos.

Filipinas

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No país asiático, o feriado chamado “Araw ng mga Patay” (Dia dos Mortos) é celebrado em 1º de novembro e tem uma atmosfera mais de reunião familiar. As tumbas são limpas ou repintadas, velas são acesas e flores são oferecidas. Famílias inteiras acampam em cemitérios e, às vezes, passam uma noite ou duas junto às tumbas de seus parentes. Jogos de cartas, comidas, bebidas, cantos e danças são atividades comuns no cemitério.

Nepal

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Durante o feriado nepalês do “Gaijatra” (Festival da Vaca), toda família que tenha perdido um membro durante o ano anterior faz uma construção de bambus, panos, papéis decorativos e retratos dos falecidos, chamado de “gai”. Tradicionalmente, uma vaca guia o espírito do morto no outro mundo. Dependendo dos costumes locais, uma vaca viva ou uma réplica são usadas. O festival também é a época de se fantasiar, incluindo temas tanto de manifestos políticos como de sátiras.

Região do Tirol

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Nesta região histórica da Europa Oriental, bolos são deixados sobre a mesa e a sala é mantida quente para o conforto dos mortos.

Bretanha

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Já nesta região administrativa do oeste da França que possui raízes celtas, as pessoas vão aos cemitérios ao anoitecer para ajoelharem-se perante as lápides de seus entes queridos e ungirem-nas com água benta ou derramarem leite nelas. Na hora de se deitar, o jantar é deixado na mesa para as almas.

Um elemento muito utilizado no Brasil e que parece ser comum à quase todas as culturas são as oferendas de flores àqueles que já se foram. Se você perdeu um ente querido e pretende aproveitar o feriado para visitar seu túmulo, saiba onde encontrar as floriculturas mais próximas para encomendar as suas. Clique aqui.

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